sábado, 10 de fevereiro de 2018

O que reina em uma mente


O que reina em uma mente



Um tempo que voa

Um rumo que ecoa

Uma voz que sussurra

Em meio a uma tormenta escura



Quando o sol parece nascer

Uma nova tempestade tende a chegar

Com nuvens horrendas que tendem a crescer

Posso correr, mas ela vai me alcançar



As estrelas fraquejam perante o horror

Os brilhos se apagam tamanho o temor

Uma onda que chega e cobre o luar

O que uma mera formiga pode pensar?



Quanto ao vento, o que ele pode trazer?

Pode ser prazer, ou mais algo que faça sofrer

Não importa o quão longe olhar

Da brisa nada bom irá chegar



Um choque arruína a realidade

Que vive sem ter nenhum belo detalhe

Do que adianta um pouco de vaidade

Não impedindo que o navio encalhe?



Uma colina escurece a visão

Do novo, o medo da escuridão

O astro rei não consegue brilhar

Ou será que sou eu que não consigo enxergar



Guerras são travadas constantemente

O pesar, o amor, lutam bravamente

Um sorriso conseguiria fazer-lhe amar

Mas não existe o direito de isso desejar



Enquanto a vida segue passando a frente

Existem inúmeras coisas perturbando a mente

O olhar do vampiro sedento por sangue

Um pescoço exposto para ele e sua gangue



O medo de um gesto de carinho

A vergonha de ser seu próprio inimigo

O maior desejo seria estar sozinho?

Ou seria ter alguém comigo?



As eras passam

As feridas ficam

O tempo parou

O momento chorou



Enquanto o sol não ousar brilhar

E as nuvens, as ondas, as cordilheiras continuarem a fechar

Não há estrela que se colocara a brilhar

Enquanto a mente suja ainda reinar

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Um conto de criaturas: Capitulo 3

Um conto de criaturas: Capitulo 3
Capitulo III

Devoção



            Assim que amanheceu se puseram a caminhar novamente pela floresta, rumo a passagem, que se localizava a norte de onde moravam, que era a extremo oeste do continente conhecido. Micklagard começou a falar.

- Se conseguirmos passar, encurtaremos a viagem em uns 10 dias, eu realmente não quero ter que passar por de trás das colinas, mesmo que essa travessia pareça ser mais perigosa, se seguir o que os rumores dizem.

- Isso porque você é muito preguiçoso. – Disse Arturia.

- Você não consegue ficar sem implicar comigo?

- Sua reação é divertida, não posso evitar.

            Ele revirou os olhos e indicou com a mão por onde deveriam continuar andando, uma pequena trilha sinuosa, que continha muitas ervas que eram comercializadas em sua vila e vilas próximas, e onde frequentemente se avistavam comerciantes de localidades próximas de sua casa.

            Prosseguiram caminhando por algum tempo, sem trocar muitas palavras, a não ser para falar coisas sobre Alastorn, de como sabiam que ele não mentiu em nenhum momento sobre suas aventuras, mesmo que este não gostasse de dar detalhes aos jovens sobre isso, sempre falava – Logo vocês verão essas coisas por conta própria, eu sei que anseiam por isso, então não estragarei as surpresas -, e eles sorriam com um olhar contente.

            Após mais um tempo de caminhada Arturia sentiu um arrepio e olhou com uma cara assustada para trás, onde teve mais uma vez a impressão de ver uma sombra passando, então olhou para seu parceiro de viagem, o mesmo estava andando com um ar sóbrio, ou seja, nada havia notado, então ela supôs que fosse somente uma impressão de que algo os estava seguindo, talvez fosse meramente um animal que passou correndo por ali e nada mais do que isso.

            Continuaram andando e começaram a reparar na vegetação do local. Esta a qual, além das ervas que eram comercializadas como especiarias, haviam pequenos arbustos robustos, os quais abrigavam pequenos animais daquela floresta, que se mostravam exuberantes, com belas e pequenas flores verdes, azuis e amarelas, suas cores eram tão diversas que poderiam formar uma imensa paleta de cores por si só. Tais arbustos rodeavam árvores robustas, com troncos largos, que poderiam chegar ao comprimento de 3 homens, e coloração tão brilhante quanto o que rodeavam seus pés, gerando um lindo contraste com o qual poderiam se passar horas admirando tal beleza. Nestas arvores haviam grandes galhos que iam se afinando e suportavam grandes folhas, que quando caiam refletiam a luz do sol devido seus orvalhos que aparentemente nunca secavam.

            Após algum tempo de caminhada avistaram um mercante, o qual conheciam bem, mas que seu nome não se faz relevante para essa história. Tal mercante os avistou com um olhar jocoso, e Arturia sussurrou para Micklagard.

- Não deixe isso te incomodar, é só ignorar.

            Mal terminara de falar, o homem dirigiu a palavra a eles.

- Veja se não é o filho do Mentiroso?

- Não sou filho de um mentiroso, sou filho de Alastorn.

- Ou seja, do Mentiroso. – Disse o homem dando uma leve risada.

- Enquanto você fica falando de um homem pelas costas dele, este homem está cuidando bem de seu filho e de seus amigos. Não ouse a falar mal dele na minha frente. – Retrucou Arturia.

- Se eu disser que ele é um mentiroso, o que você fará, sua pequena?

            Arturia puxou seu arco e uma flecha, e Micklagard colocou a mão no ombro dela e fez sinal de negativo com a cabeça.

            Ela guardou a flecha e postou o arco em suas costas, seguiu andando até próximo do homem e desferiu um poderoso soco que derrubou o homem. Micklagard olhou para aquilo e não sabia o que fazer, enquanto Arturia seguiu andando na direção do caminho, enquanto o homem praguejava contra ela.

            Micklagard se pôs a andar atrás de Arturia que apressava seu passo para se distanciar logo daquele homem. Começaram a reparar nos animais que se apresentavam com olhar curioso para eles. Arturia era especialmente apaixonada pelos animais, e ficava cada vez mais apaixonada por eles. Sua relação com tais criaturas era de estranha e curiosa proximidade, era sempre vista pelos seus amigos na floresta, cuidando e brincando com os bichos que lá viviam.

            Mais alguns dias se passaram, e todos os dias tinham a sensação de que uma sombra os rondava, mas sempre ignoravam, hora ela percebia a sombra, hora ele, nunca os dois, o que os faziam imaginar que estavam vendo coisas, até que Arturia resolveu falar do assunto. Muitos problemas nas histórias seriam evitados se as pessoas simplesmente conversassem sobre as coisas.

- Eu tive uma sensação por umas três ou quatro vezes de estarmos sendo observados, mas não senti nada hostil.

- Também tive essa sensação, não deve ser nada demais, somente um animal curioso.

- Ou pode ser algo perigoso.

- Se fosse teria nos atacado de noite, não acha?

            Ela concordou, meio contrariada, mas prosseguiram o caminho até chegarem na entrada da passagem, um grande pântano, que estava inundado devido a época do ano. Todos os locais para se pisar eram grandes poças de lama escura, que afundava até algo próximo do joelho, mas apesar disso, era um local cheio de vida, desde pequenos animais que ficavam presos nessas possas de agua, até outros maiores que se aproveitavam disso para se alimentar.

            Apesar da escura lama, muitos locais apresentavam uma bela vegetação rasteira, que estava levemente suja, devido a brincadeira de alguns esquilos que vinham da floresta para brincar nas poças de água que haviam ali.

            Quando chegaram bem próximos, Micklagard parou vislumbrando algo ao fundo, e acenou para que Arturia viesse quieta até ele, e apontou para próximo de uma árvore com um tronco retorcido, porem sinuoso, como se fosse moldado por alguém, ou algo. Ali estava bailando e se divertindo uma fada.

Arturia disse baixinho – É uma Anilistirium, como pode ter uma tão perto de casa?

- Você tem um estranho conceito de proximidade. – Disse Micklagard, ainda vislumbrando a fada

            Tal criatura, diziam as lendas, trazia boa sorte para quem a avistasse. Nunca houve relato de alguém que conversou com uma delas, pouco, ou nada se sabia sobre elas, só que algo bom acontecia para quem as avistasse. Um breve trecho do poema das criaturas era usado para falar sobre essas pequenas e belas criaturas e o que sua magia causava



Um vislumbre é o que se necessita

Para uma sorte se abastar sobre ti

Tão belas bailando por todo esse ar

Uma Anilistirium é o melhor que se pode encontrar



Um voo tão suave como a brisa

O necessário para lhe fazer sorrir

Quando o vento soprar e brisa bater

Não tema, pois a maior das sortes, é o que você irá ter

           

Mas nem tiveram muito tempo para contempla-la, foram surpreendidos por um grande rugido, que tal bela e poderosa fada se escondeu assustada.

            O rugido estremeceu o chão ao redor deles, até mesmo as árvores pareceram recuar diante daquele barulho ensurdecedor. Os dois caíram no chão atordoados, e quando pensaram em levantar, foram atingidos por mais um intenso rugido, e decidiram que o melhor que fariam seria se manter ali.