Um conto de criaturas: Capitulo 3
Capitulo III
Devoção
Assim que amanheceu se puseram a
caminhar novamente pela floresta, rumo a passagem, que se localizava a norte de
onde moravam, que era a extremo oeste do continente conhecido. Micklagard
começou a falar.
- Se
conseguirmos passar, encurtaremos a viagem em uns 10 dias, eu realmente não
quero ter que passar por de trás das colinas, mesmo que essa travessia pareça
ser mais perigosa, se seguir o que os rumores dizem.
- Isso porque
você é muito preguiçoso. – Disse Arturia.
- Você não
consegue ficar sem implicar comigo?
- Sua reação é
divertida, não posso evitar.
Ele revirou os olhos e indicou com a
mão por onde deveriam continuar andando, uma pequena trilha sinuosa, que
continha muitas ervas que eram comercializadas em sua vila e vilas próximas, e
onde frequentemente se avistavam comerciantes de localidades próximas de sua casa.
Prosseguiram caminhando por algum
tempo, sem trocar muitas palavras, a não ser para falar coisas sobre Alastorn,
de como sabiam que ele não mentiu em nenhum momento sobre suas aventuras, mesmo
que este não gostasse de dar detalhes aos jovens sobre isso, sempre falava –
Logo vocês verão essas coisas por conta própria, eu sei que anseiam por isso,
então não estragarei as surpresas -, e eles sorriam com um olhar contente.
Após mais um tempo de caminhada Arturia
sentiu um arrepio e olhou com uma cara assustada para trás, onde teve mais uma
vez a impressão de ver uma sombra passando, então olhou para seu parceiro de
viagem, o mesmo estava andando com um ar sóbrio, ou seja, nada havia notado,
então ela supôs que fosse somente uma impressão de que algo os estava seguindo,
talvez fosse meramente um animal que passou correndo por ali e nada mais do que
isso.
Continuaram andando e começaram a
reparar na vegetação do local. Esta a qual, além das ervas que eram
comercializadas como especiarias, haviam pequenos arbustos robustos, os quais
abrigavam pequenos animais daquela floresta, que se mostravam exuberantes, com
belas e pequenas flores verdes, azuis e amarelas, suas cores eram tão diversas
que poderiam formar uma imensa paleta de cores por si só. Tais arbustos
rodeavam árvores robustas, com troncos largos, que poderiam chegar ao
comprimento de 3 homens, e coloração tão brilhante quanto o que rodeavam seus
pés, gerando um lindo contraste com o qual poderiam se passar horas admirando tal
beleza. Nestas arvores haviam grandes galhos que iam se afinando e suportavam
grandes folhas, que quando caiam refletiam a luz do sol devido seus orvalhos
que aparentemente nunca secavam.
Após algum tempo de caminhada
avistaram um mercante, o qual conheciam bem, mas que seu nome não se faz relevante
para essa história. Tal mercante os avistou com um olhar jocoso, e Arturia
sussurrou para Micklagard.
- Não deixe
isso te incomodar, é só ignorar.
Mal terminara de falar, o homem
dirigiu a palavra a eles.
- Veja se não é
o filho do Mentiroso?
- Não sou filho
de um mentiroso, sou filho de Alastorn.
- Ou seja, do Mentiroso.
– Disse o homem dando uma leve risada.
- Enquanto você
fica falando de um homem pelas costas dele, este homem está cuidando bem de seu
filho e de seus amigos. Não ouse a falar mal dele na minha frente. – Retrucou
Arturia.
- Se eu disser
que ele é um mentiroso, o que você fará, sua pequena?
Arturia puxou seu arco e uma flecha,
e Micklagard colocou a mão no ombro dela e fez sinal de negativo com a cabeça.
Ela guardou a flecha e postou o arco
em suas costas, seguiu andando até próximo do homem e desferiu um poderoso soco
que derrubou o homem. Micklagard olhou para aquilo e não sabia o que fazer,
enquanto Arturia seguiu andando na direção do caminho, enquanto o homem
praguejava contra ela.
Micklagard se pôs a andar atrás de
Arturia que apressava seu passo para se distanciar logo daquele homem.
Começaram a reparar nos animais que se apresentavam com olhar curioso para
eles. Arturia era especialmente apaixonada pelos animais, e ficava cada vez
mais apaixonada por eles. Sua relação com tais criaturas era de estranha e
curiosa proximidade, era sempre vista pelos seus amigos na floresta, cuidando e
brincando com os bichos que lá viviam.
Mais alguns dias se passaram, e
todos os dias tinham a sensação de que uma sombra os rondava, mas sempre
ignoravam, hora ela percebia a sombra, hora ele, nunca os dois, o que os faziam
imaginar que estavam vendo coisas, até que Arturia resolveu falar do assunto.
Muitos problemas nas histórias seriam evitados se as pessoas simplesmente conversassem
sobre as coisas.
- Eu tive uma
sensação por umas três ou quatro vezes de estarmos sendo observados, mas não
senti nada hostil.
- Também tive
essa sensação, não deve ser nada demais, somente um animal curioso.
- Ou pode ser
algo perigoso.
- Se fosse
teria nos atacado de noite, não acha?
Ela concordou, meio contrariada, mas
prosseguiram o caminho até chegarem na entrada da passagem, um grande pântano,
que estava inundado devido a época do ano. Todos os locais para se pisar eram
grandes poças de lama escura, que afundava até algo próximo do joelho, mas
apesar disso, era um local cheio de vida, desde pequenos animais que ficavam
presos nessas possas de agua, até outros maiores que se aproveitavam disso para
se alimentar.
Apesar da escura lama, muitos locais
apresentavam uma bela vegetação rasteira, que estava levemente suja, devido a
brincadeira de alguns esquilos que vinham da floresta para brincar nas poças de
água que haviam ali.
Quando chegaram bem próximos,
Micklagard parou vislumbrando algo ao fundo, e acenou para que Arturia viesse
quieta até ele, e apontou para próximo de uma árvore com um tronco retorcido,
porem sinuoso, como se fosse moldado por alguém, ou algo. Ali estava bailando e
se divertindo uma fada.
Arturia disse
baixinho – É uma Anilistirium, como pode ter uma tão perto de casa?
- Você tem um
estranho conceito de proximidade. – Disse Micklagard, ainda vislumbrando a fada
Tal criatura, diziam as lendas,
trazia boa sorte para quem a avistasse. Nunca houve relato de alguém que
conversou com uma delas, pouco, ou nada se sabia sobre elas, só que algo bom
acontecia para quem as avistasse. Um breve trecho do poema das criaturas era
usado para falar sobre essas pequenas e belas criaturas e o que sua magia
causava
Um vislumbre é o que se necessita
Para uma sorte se abastar sobre ti
Tão belas bailando por todo esse ar
Uma Anilistirium é o melhor que se pode encontrar
Um voo tão suave como a brisa
O necessário para lhe fazer sorrir
Quando o vento soprar e brisa bater
Não tema, pois a maior das sortes, é o que você irá
ter
Mas
nem tiveram muito tempo para contempla-la, foram surpreendidos por um grande
rugido, que tal bela e poderosa fada se escondeu assustada.
O rugido estremeceu o chão ao redor
deles, até mesmo as árvores pareceram recuar diante daquele barulho
ensurdecedor. Os dois caíram no chão atordoados, e quando pensaram em levantar,
foram atingidos por mais um intenso rugido, e decidiram que o melhor que fariam
seria se manter ali.