quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Quando a Quando


A angustia de não saber
O medo de não pensar
A fobia de não ter
O desespero de não conseguir amar


Quando foi que tempo parou de fluir?
Quando foi que parei de tentar?
Quando foi que deixei de agir?
Quando foi que o tempo parou de andar?


Espero que os pássaros cantem em meus ouvidos
Desejo também que eles cantem nos seus
Espero não te assustar com pedidos
Desejo também não me assustar com os teus


Quando foi que deixei de imaginar?
Quando foi que deixei de insistir?
Quando foi que deixei de sonhar?
Quando foi que te deixei partir?


Cada pedaço de mim lhe deseja
Espero que ao menos um dos seus também me deseje
Parte a parte de mim lhe almeja
Espero que ao menos parte de ti também me almeje


Quando os rios pararam de correr?
Quando a neve parou de cair?
Quando as matas começaram a morrer?
Quando foi que te vi sair?


Uma rosa não lhe é o suficiente
Acho que nada poderia ser
Basta um sorriso teu para me ver contente
Mas esse sorriso não mais posso ter


Quando foi que a luz parou?
Quando foi que deixei de olhar?
Quando foi que o mar secou?
Quando foi que parei de enxergar?


Um vento não pode lhe trazer
Não sei se devo lhe buscar
Perdido sem saber o que fazer
Não sei onde devo, e se devo lhe encontrar


Quando deixei de ver seu sorriso?
Quando deixei de ter seu carinho?
Quando deixou de ser meu paraíso?
Quando deixou-me sozinho?

Alguém para se tornar


Tempestades e ventos lhe tiram do caminho
Vitorias e derrotas deixam ate mesmo de fazer sentido
A ira dos mais fortes e o choro dos mais fracos
Até quando será abusado pelo poder


Mentes descontroladas andam pelas ruas
Descendo calçadas em vias escuras
O medo do escuro lhe trás memórias
Aquelas que você teme mais que a morte


Noites em claro não importam mais
Dormir, chorar, não, nunca
Ouvidos ensurdecidos por fortes estrondos
A sua vida jaz em um oceano de escombros


Quando o relógio parar de girar e a corda parar de bater
Olhe para trás e veja o q você deixou de fazer
Tu não mais tem o direito de olhar para frente
Mas do que isso importa quando tirastes tantas oportunidades


Em meio a rios e florestas gigantescos
Há um caminho sinuoso pelo qual trilhar
Ele não lhe dirá verdade ou a mentira
Lhe dirá somente quem tu és


Escolhas mal feitas, historias mal contadas
Não houve dias de luta, não haverá dias de glória
Quando quiser seguir em frente somente pense
Se dançar com a morte fará algum sentido


Você pode tentar fugir disso em lágrimas
Uma mera fuga para não entrar em desespero
Um pequeno passo para se sentir bem
Um enorme caminho para tornar-se alguém

Um conto de criaturas: Capitulo 2


Capitulo II

A floresta cinza



            Micklagard e Arturia começaram a andar pela floresta, e perceberam sua exuberância e viram que deveriam dar o devido respeito a ela.

            Haviam ali, árvores mais velhas do que qualquer humano que já existiu, de salgueiros gigantescos até meros arbustos. Lendas diziam que nesta floresta algumas árvores andavam, e que muito antigamente eram conhecidas como pastores de árvores.

            Tal lenda se deu ao fato de que muitas das criaturas da floresta não ousavam se aproximar de algumas das árvores ali presentes, e normalmente eram as que aparentavam ser mais velhas e mais maltratadas, porém todas as árvores ao seu redor tinham folhagens exuberantes, um grande tronco espesso e com raízes cravadas tão fundo no chão que seria impossível até mesmo para um gigante arranca-las de lá.

            Além disto, elas serviam como abrigo e recursos de alimento para inúmeros animais da floresta, como cupins e esquilos, estes, os quais, Micklagard quis caçar para ser o seu primeiro jantar desta jornada, e antes que a noite caísse, ele e Arturia prosseguiram rumo ao outro extremo da floresta, localizado mais ao norte, e aproveitaram para recolher alguns gravetos no caminho para fazerem uma fogueira para esquentá-los, pois quando a noite chegasse deveriam montar acampamento.

            Assim que a lua estava sobre o céu, reluzindo como os campos verdes quando surge a primavera, aparecendo forte e vislumbram-te sobre a neve, o acampamento dos dois estava montado, e a madeira que recolheram pelo caminho serviu bem ao seu propósito, pois para aquela época do ano, fazia um estranho frio, mesmo para a noite, e mesmo para uma floresta, e os dois estavam sentados próximos a fogueira e próximos um do outro.

- Nós vamos seguir pelas montanhas ou pela passagem do dragão? – Indagou Arturia

- Acho melhor irmos pelo caminho do dragão. Ele encurtará muitos dias da nossa travessia, e não acredito que seja perigoso, o maior problema é chegar a ele. – Respondeu Micklagard – Aquele pântano será complicado de atravessar, ainda mais com a cheia do rio – continuou -.

            Pararam de conversar para poder comer os esquilos que haviam caçado mais cedo, e ela estava com um olhar triunfante sobre ele.

            Os dois tinham costume de sempre apostar em tudo, desta vez apostaram quem pegaria o maior número de esquilos até que o sol finalmente se acolhesse no horizonte. E desta vez, como na maioria das vezes, ela havia triunfado sobre ele, 4 esquilos a 1, isso lhe deu o direito de comer um a mais do que ele.

- Eu queria muito ter conhecido Eldún, não entendo o porquê meu pai não nos deixo conhecê-lo.

- Eu também queria ter ao menos o visto, mas seu pai deve ter tido uma boa razão Mick.

- Quantas vezes terei de dizer para não me chamar assim?

- Pode dizer quantas quiser, te chamarei assim sempre que quiser, sua reação é sempre muito divertida.

- Você gosta de me ver irritado? – Micklagard olhou seriamente para Arturia.

- Você não está verdadeiramente irritado, só levemente constrangido – Arturia lhe olhou com uma leve feição de deboche.

- Tá, você está certa, mas não me chame assim, por favor.

- Sim, meu senhor. – E Arturia pôs-se a rir

            Sua risada foi interrompida por um barulho próximo ao acampamento deles, o qual deixou os dois apreensivos, pois viram uma sombra, de significativo tamanho se mover daquele lugar e alçar voo.

            Os dois foram verificar o que havia naquele local, e viram somente um rastro de sangue, o que julgaram ser somente um animal tendo abatido outro para sua refeição.

            Voltaram para o acampamento, desta vez para a tenda onde os dois dormiriam juntos, o que não era nenhum problema para nenhum dos dois, pois estavam acostumados a dormir juntos desde de crianças juntamente com os irmãos Gallard.

            A sensação ao se deitarem foi estranha, sentiram falta dos amigos, mas saiam que não seria para sempre, para diminuir um pouco aquela quietude que pairava ali, Micklagard indagou.

- Eldún deveria ser uma criatura magnifica, que espécie de dragão ele será?

- Você prestava atenção em alguma coisa que o seu pai nos contava?

- É claro que sim, mas por que está me perguntando isso agora?



Ó dragões que dominam o mundo

O céu, a terra, o mar profundo

As suas glórias de outrora ouvi

Tantos tipos e cores eu vi



Skydin o mais velho e poderoso

Que a magia criou orgulhoso

Eldún o dono da mais forte armadura

A sua escama de ferro escura



            Arturia recitou os primeiros versos do poema dos reis dos dragões, que falavam sobre os dragões mais fortes e antigos, todos mais velhos do que toda a humanidade e que participaram da guerra dos dragões.

            Micklagard então perguntou – Você está dizendo então que ele é um dragão do ferro?

- E por qual outro motivo teria um verso falando do que é feita escama? Este poema enaltece a característica de cada um dos reis dos dragões. De qualquer modo, já está na hora de dormirmos, precisamos levantar assim que o sol surgir por entre essa mata. Boa noite

            Ela então se pôs a dormir, estava brava, pois sempre prestou toda a atenção a tudo que Alastorn falava, tinha nele mais do que um contador de histórias e alguém no qual se inspirava, tinha nele um verdadeiro professor, e se irritava fácil quando Micklagard e os irmão Gallard não prestavam atenção no que ele falava.

            Micklagard balbuciou um boa noite e virou-se para dormir, demorou a pegar no sono, ao modo que Arturia havia rapidamente dormido, porém teve um sono profundo e tranquilo naquela noite, e se permitiu perder-se em seus sonhos e no aconchego de sua tenda.

Um conto de criaturas: Capitulo 1


Capitulo I

Difícil despedida





Você caro leitor, deve estar se perguntando sobre o que este livro fala, com certeza o pegou devido a essa bela capa, ou não tão bela assim, minhas habilidades artísticas para desenhos são péssimas. Me atreveria a dizer que também não são para escrever, sugiro que pare de ler agora, esse livro não irá lhe contar nenhuma história nova e maravilhosa, não irá te dar nenhuma lição de vida ou algo assim, vai ser somente palavras num pedaço de papel.

            Chega de devaneios, estás aqui para um propósito e deseja cumpri-lo. Eu estou aqui para tornar essa tarefa mais fácil, mas já digo, essa é a última chance que lhe dou para não ler esse livro, ele é péssimo.

            Aqui eu tratarei de uma narrativa, a história de um casal e suas aventuras junto com um belo dragão, ou dragão fêmea, ela me morderia e ficaria bem irritada comigo se eu lhe revelasse seu nome agora, pois ela tem muito orgulho deste, e o considera muito importante. Posso adiantar que ela não iniciará a jornada conosco, - eu disse que sou um péssimo escritor, estou falando o que vai acontecer antes de lhes contar o que aconteceu, eu não tomo jeito mesmo -.

            Bom, tudo começou num pequeno vilarejo, onde Anduriun Micklagard, filho de Anduriun Alastorn, vivia com seu pai, em paz, mas com um grande anseio por viagens e aventuras. Não possuía barba, o que lhe incomodava, pois já estava no alto de seus 36 anos, um jovem para o seu povo e um adulto para si. Olhos castanhos forte que adquiriam um esplendor maior ao entrar em contato com a luz do sol.

            Nas vésperas de completar seus 37 anos, havia decidido viajar, pois queria se tornar tão conhecido por Arghband quanto seu pai. – Há quem diga que tal nome surgiu, pois, a primeira palavra dos primeiros seres advindos dos deuses que foi dita, foi um ARGH de susto, outros dizem que foi de nojo, eu prefiro acreditar que quando deu seu primeiro passo ele pisou numa rocha pontuda e gritou de dor -. Alastorn era famoso de Nostraudon a Lostingul e de Midwhist a Calestul, -  Tais nomes são um mero enfeite, é somente de Norte a Sul e de Oeste a Leste – pois era o único homem vivo que havia viajado por todas as regiões e conhecido todos as criaturas que muitas pessoas acreditavam estar extintas.

            Isso era o que Alastorn alegava, era conhecido como “O deus da mentira”, e isso causava grande revolta a Micklagard, que deseja viajar e coletar um presente de uma dessas criaturas para provar que seu pai não estava mentindo.

            Havia, porém, um grande problema, ele havia decidido partir na manhã seguinte ao seu aniversário, mas não havia avisado nenhum de seus amigos. Eram poucos é verdade, mas os melhores que ele poderia desejar e querer ter. Tão fiéis a sua amizade, companheiros para todas as horas, desde roubar milhos e cogumelos das plantações da senhora Ninrod, até treinos de espada e arco e flecha.

            Nessas artes as quais ele dominava muito bem, mas era sempre o segundo melhor, não importa o quanto tentasse, sempre ficava em segundo, e isso o frustrava e o fazia querer sempre melhorar.

            No dia de seu aniversário, chamou para sua casa seus amigos, os gêmeos Gallard Ningorn e Gallard Rondorn, exímios ferreiros, e sua amiga e para quem sempre perdia Dinorin Arturia. Chegaram todos juntos e adentraram na casa que conheciam muito bem, pois passaram boa parte de sua infância brincando no local. A casa era feita toda de uma madeira robusta e muito resistente, que tempestade alguma seria capaz de derrubar, haviam quatro quartos, sendo dois deles para visitas, e seu jardim era o mais belo da região, apresentando uma enorme diversidade, pois por onde Alastorn passava em sua viagem, recolhia sementes das espécies que julgava mais bonita, - ou era assim que ele dizia -, e foi nesse jardim que os quatro passaram parte da tarde conversando e rindo alegremente.

            Um belíssimo jantar havia sido preparado por pai e filho, havia uma enorme fartura e diversidade de comida na mesa, desde carnes raras, até as frutas mais gostosas que se podiam encontrar pelas regiões próximas, e uma grande quantidade de cerveja da melhor qualidade para acompanhamento.

            Após todos se fartarem, e rirem de tão bêbados que haviam ficado, Micklagard tomou coragem para contar a seus amigos que iria viajar por alguns anos, mas antes que pudesse falar, Arturia disse: - Há algo te preocupando, meu senhor?

- Sim, há algo me incomodando, você está certa, olhos afiados como sempre. Mas quantas vezes já não lhe disse para não me chamar de senhor, somos amigos desde infância, não me chame assim, por favor, há menos que queira que me deixar bravo. – Respondeu ele.

            Ela deu um leve riso e ficou contemplando aquela expressão no rosto dele, não havia nada que a divertia mais do que brincar com Mick e ver seu rosto corado toda vez que ela lhe chamava de senhor.

            O momento de contemplação foi interrompido por Rondorn, que perguntou o que era, algo que deixou Arturia muito contrariada, pois ela estava se divertindo muito com aquela cena.

- Começarei a dizer logo, mas vamos nos sentar na sala, é um ambiente melhor para falar sobre isso.

            Todos seguiram para a sala, onde haviam poltronas feitas de uma madeira dura, mas coberta com peles de animais, que as deixavam imensuravelmente confortáveis. Havia uma espécie de lareira que emanava um doce frescor, pois a madeira utilizada como combustível era de Mistraudon, onde haviam grandes florestas e era o lar de inúmeras criaturas das quais Alastorn falava, e das melhores madeiras para lareiras, eram árvores q podiam ser cortadas e menos de uma semana depois já estavam completamente regeneradas, e haviam umas quatro destas arvores em seu jardim.

            Após todos se acomodarem, Micklagard os serviu com mais cerveja e então se sentou e começou a falar de forma vagarosa e com muito pesar em sua voz.

- Todos vocês sabem do que chamam meu pai e também sabem que eu sempre tive desejo de partir em uma aventura semelhante e vislumbrar as coisas que ele nos contava, - seu pai deu um leve sorriso, era difícil de identificar se era de alegria ou de uma certa vergonha – o motivo por eu os ter chamado – fez uma breve pausa para criar coragem e dizer (na verdade ele só queria fazer um suspense, ele adorava ser o centro das atenções em momentos assim) – é de que amanhã estarei partindo nessa viajem. Não quero somente ver tais criaturas, quero restaurar a honra da minha família e de meu pai, pois sei q ele não mente.

Seus amigos se entre olharam, até que Arturia criou coragem e falou.

- Nós sabíamos que este dia chegaria, e suponho que você deseja ir sozinho não é mesmo?

- Está mais uma vez correta, minha princesa.

- Obrigada pelo elogio, e nunca mais me chame assim, ou você morre. – Micklagard deu alguns risos baixos, pois causara a reação que desejava. Mas temo a dizer que você não irá partir sozinho, eu sei que você é um guerreiro nato, apesar de eu ser melhor, e também apresenta habilidades culinárias melhores que as minhas, mas você não tem habilidades médicas, nem mesmo seu pai foi sozinho em sua viajem, ele foi com sua mãe, e você vai comigo.

- Eu e Rondorn também gostaríamos de ir com você, mas eu sou muito medroso para algo assim, então não vou, e meu irmão tem que cuidar das coisas da família, desculpe por ser um covarde, vocês sempre me protegeram desde pequeno, e nem isso eu consigo fazer por você. – Falou Ningorn quase em lágrimas devido ao excesso de cerveja.

- Não tem de pedir desculpa por nada meu querido amigo. – Disse Micklagard lhe abraçando – Esta é uma jornada que eu escolhi, e não posso pedir para que me acompanhem, e não é de meu desejo que me acompanhem, pois não sei quantos e quais perigos irei enfrentar nesta jornada. Não posso deixar que você vá comigo Arturia, sei que não apresento quase nenhuma aptidão médica, e também sei que você brande uma espada melhor do que eu, e que não precisaria protegê-la, o contrário seria mais provável. Mas não desejo que corra esses perigos que posso correr. – Concluiu.

- Não importa se eu sou melhor brandindo uma espada ou não. Só digo uma coisa, se não me deixar acompanhar-te, eu irei segui-lo por onde quer que você vá, somos melhores amigos e sempre lutamos juntos em todas as circunstâncias, e não será agora que deixarei você ficar longe de minha vista. – Afirmou severamente Arturia.

- Você tem de entender que eu estou prezando pela sua segurança Arturia.

- E eu pela sua, seu idiota.

- Se tentar te proteger é ser idiota, tudo bem, eu sou um idiota. – Exclamou Micklagard num tom severo.

- Não adianta ficar bravo, eu vou com você, quer você queira quer não. – Ela retrucou da mesma maneira.

- Mais que droga, você é muito insistente, nunca me ouve.

- E não será agora que irei ouvir. – Ela terminou dando um leve um sorriso de vitória.

Micklagard então desferiu um olhar que pedia auxilio ao seu pai e disse, - Pai, me ajude aqui, não vou conseguir impedir que ela vá se as coisas continuarem assim.

- Nem que tivessem mil homens armados com as melhores lanças e espadas do mundo conseguiriam impedi-la. E por outro lado admita que você se sentiria melhor tendo um de seus amigos a seu lado, e principalmente Arturia, sua companheira de tantas batalhas. Eu acho que seria bom você ter ao menos uma companhia nessa jornada, e ninguém melhor pra lhe acompanhar do que ela. – Disse Alastorn.

- Pelo visto não tenho escolha mesmo, tudo bem, poderá vir comigo Arturia, mas se em algum momento desejar retornar por medo ou qualquer que seja o motivo, pode retornar. – Falou Micklagard.

              Assim que ele terminou a frase ela deu um grande salto em sua direção o derrubando no chão e o abraçando com tamanha força que ele teve que dizer a ela para soltá-lo pois ele já quase não respirava mais.

- A que horas partimos amanhã? – Perguntou ela.

- Uma hora antes do nascer do sol, então sugiro que apronte logo suas coisas.

- Elas já estão prontas, sempre soube que você iria partir mais cedo ou mais tarde, então deixei tudo pronto a vários meses, somente trocando algumas coisas que acabavam sendo desnecessárias.

- Vamos todos dormir então, peço para que durmam aqui meus amigos, já que esta será a última noite que passaremos juntos nesta vila, por um longo tempo, até o meu retorno, e o daquela ali também. – Arturia estava largada em uma das poltronas, e desferiu um olhar mortal na direção de Micklagard -. Suas camas já estão preparadas, eu mesmo cuidei disto.

            A noite passou vagarosamente, Arturia e Micklagard conseguiram dormir muito bem, pois estavam muito cansados, ele por culpa dos afazeres do dia, e ela por arrumar sua mala no mesmo dia, a história contada por ela havia sido uma mentira, pois sabia que a viajem seria naquele dia, Alastorn havia dito a ela os planos do filho, e que desejava que ela fosse com ele, pois sabia que ela seria de extrema utilidade para o filho, e poderia ajuda-lo em qualquer ocasião. Mais esta foi uma mentira que Micklagard nunca descobriu. Ningorn por outro lado passou a noite toda em claro relembrando todas as aventuras que tinham tido quando eram crianças, e todas as vezes que fora salvo por seus amigos e seu irmão. Rondorn demorou um pouco a pegar no sono, mas dormiu muito bem, até que duas horas antes do nascer do sol, foram todos acordados por Alastorn para o desjejum.

            Durante o desjejum todos pareciam apreensivos, exceto por Alastorn que já estava conformado com a viajem do filho. Arturia por sua vez não estava somente apreensiva, mas também excitada com a aventura por se aproximar, desde pequena sonhava em sair pelo mundo. Os gêmeos por outro lado ficavam se entre olhando, olhares estes que tinham um tom repreensivo, pois ambos queriam muito ir nesta aventura, mas não tinha coragem para deixar todas as coisas para trás.

            Após o termino do desjejum e pai e filho terminarem de lavar a louça pela última vez juntos, todos foram ao portão principal da cidade, onde Arturia e Micklagard deixariam a cidade, sem ter data para voltar, se é que voltariam, e foi neste ar de despedida que Alastorn foi o primeiro a se manifestar.

- Filho, antes que vá quero que leve alguns presentes meus para ti, quero que leve este colete de feito do material mais resistente e mais leve que irás encontrar – fez uma breve pausa e disse – Mithril, um deles foi me dado e o outro dado a sua mãe pelos povos do sul, o colete de sua mãe está sendo usado agora por Arturia, e o meu será usado por você.
E não é somente este presente que quero lhe dar, quero que leves contigo minha espada mais preciosa, Tiranion, que me fora dada pelos povos do Leste, assim como seu colete ela é feita de um material muito resistente, forjada através de escamas do dragão de ferro, uma criatura que tu conhecerás em sua viajem. - Concluiu o pai.
- Pai realmente não precisava me dar essas coisas – disse ao abraçar Alastorn – eu sei como essas coisas são realmente importantes para você, e pode ter certeza que elas estarão em boas mãos.

            Após um breve silencio, Rondorn disse: - Nós também temos presentes para ti e para Arturia. Sei que não é muito, mas essa adaga e essas flechas foram feitas por nós há algum tempo, são os melhores já feitos por nós. Eu forjei a adaga, e Ningorn retirou as melhores madeiras da região e forjou as pontas dessas flechas. A adaga carrega o nome de nossa família, Gallard, e espero que nunca tenha de usa-la, foi feita com diamante moldado e chifre de unicórnio, e ela será dada a ti Micklagard. Quanto às flechas deixarei que meu irmão fale um pouco sobre elas.

- Ar...Arturia - começou gaguejando um pouco Ningorn – essa duas dúzias de flechas, carregam meu maior suor já despejado sobre algo. Assim como não é de meu desejo que Micklagard utilize Tiranion ou Gallard, também não desejo que as utilize, mas se ás utilizar, podes ter certeza de que não há nada que esta flecha não perfure, por isto sempre que utilizá-las, tente as pegar de volta, e tente utilizá-las o mínimo possível, mas lhe garanto, que nem mesmo Mithril pode impedir a penetração destas flechas. Suas pontas são feitas de um material que eu não posso revelar, só posso dizer que adquiri esse elemento com Alastorn e mais nada, e que sua madeira é de uma das árvores dele também, da mais resistente e mais fácil de trabalhar que já vi, elas jamais se partirão ao penetrar algo. Só gostaria de lhe pedir uma única coisa Arturia. – Fez uma pausa, pois começou a chorar.

- Podes me pedir o que quiseres Ningorn, meu querido. – Ela respondeu dando-lhe um abraço

- Então o farei. Desejaria que ao seu retorno, se puderes que traga ao menos uma destas flechas, para que eu possa saber que nem todas foram perdidas.

- Seu desejo é uma ordem. Também não seria de meu agrado utiliza-las, são tão belas e majestosas, e ainda foram forjadas por ti, prometo que uma delas irá retornar comigo inteira, jamais usarei todas, – assim que terminou sua frase, Arturia deu um forte abraço em Ningorn, e logo em seguida Rondorn e Micklagard se uniram a eles em um abraço de despedida.

            Após todos os abraços e choros de que se tinham direito naquela ocasião, os dois aventureiros se viraram para o portão da cidade, mas antes que dessem o primeiro passo para fora da cidade Alastorn disse suas últimas palavras.

- Vão com cuidado e voltem a salvo. Só tenho mais uma coisa a dizer, irão conhecer vários povos nesta jornada, jamais mencionem meu nome, pois muitos me conhecem, alguns povos saberão que tu és meu filho somente de olhar-te, estes são povos de confiança e jamais os fará mal, e se tiveres sorte, poderás conhecer seus líderes. Mas tem povos que não suportam nem mesmo ouvir meu nome, e serão muito hostis contigo, o que o levaria a grandes confrontos. Não são povos ruins, eu que lhes fiz mal, em momentos de necessidade durante minha jornada.

            Após esse último aviso de Alastorn, os dois partiram da cidade pela estrada principal, estrada essa muito sinuosa e bela, mas não demorou muito para que parecessem apenas borrões aos olhos dos três que estavam no portão, e menos ainda que sumissem de suas visões, e pouco tempo após sumirem de vista, os dois viraram em direção ao sul, adentrando na floresta onde suas jornadas realmente começariam, enquanto Alastorn e os irmãos Gallard entraram em suas casas para tentar seguir sua rotina sem que os dois estivessem presentes.