Capitulo
I
Difícil
despedida
Você
caro leitor, deve estar se perguntando sobre o que este livro fala, com certeza
o pegou devido a essa bela capa, ou não tão bela assim, minhas habilidades
artísticas para desenhos são péssimas. Me atreveria a dizer que também não são
para escrever, sugiro que pare de ler agora, esse livro não irá lhe contar
nenhuma história nova e maravilhosa, não irá te dar nenhuma lição de vida ou
algo assim, vai ser somente palavras num pedaço de papel.
Chega de devaneios, estás aqui para
um propósito e deseja cumpri-lo. Eu estou aqui para tornar essa tarefa mais
fácil, mas já digo, essa é a última chance que lhe dou para não ler esse livro,
ele é péssimo.
Aqui eu tratarei de uma narrativa, a
história de um casal e suas aventuras junto com um belo dragão, ou dragão
fêmea, ela me morderia e ficaria bem irritada comigo se eu lhe revelasse seu
nome agora, pois ela tem muito orgulho deste, e o considera muito importante.
Posso adiantar que ela não iniciará a jornada conosco, - eu disse que sou um
péssimo escritor, estou falando o que vai acontecer antes de lhes contar o que
aconteceu, eu não tomo jeito mesmo -.
Bom, tudo começou num pequeno
vilarejo, onde Anduriun Micklagard, filho de Anduriun Alastorn, vivia com seu
pai, em paz, mas com um grande anseio por viagens e aventuras. Não possuía
barba, o que lhe incomodava, pois já estava no alto de seus 36 anos, um jovem
para o seu povo e um adulto para si. Olhos castanhos forte que adquiriam um
esplendor maior ao entrar em contato com a luz do sol.
Nas vésperas de completar seus 37
anos, havia decidido viajar, pois queria se tornar tão conhecido por Arghband
quanto seu pai. – Há quem diga que tal nome surgiu, pois, a primeira palavra
dos primeiros seres advindos dos deuses que foi dita, foi um ARGH de susto,
outros dizem que foi de nojo, eu prefiro acreditar que quando deu seu primeiro
passo ele pisou numa rocha pontuda e gritou de dor -. Alastorn era famoso de
Nostraudon a Lostingul e de Midwhist a Calestul, - Tais nomes são um mero enfeite, é somente de
Norte a Sul e de Oeste a Leste – pois era o único homem vivo que havia viajado
por todas as regiões e conhecido todos as criaturas que muitas pessoas
acreditavam estar extintas.
Isso era o que Alastorn alegava, era
conhecido como “O deus da mentira”, e isso causava grande revolta a Micklagard,
que deseja viajar e coletar um presente de uma dessas criaturas para provar que
seu pai não estava mentindo.
Havia, porém, um grande problema,
ele havia decidido partir na manhã seguinte ao seu aniversário, mas não havia
avisado nenhum de seus amigos. Eram poucos é verdade, mas os melhores que ele
poderia desejar e querer ter. Tão fiéis a sua amizade, companheiros para todas
as horas, desde roubar milhos e cogumelos das plantações da senhora Ninrod, até
treinos de espada e arco e flecha.
Nessas artes as quais ele dominava
muito bem, mas era sempre o segundo melhor, não importa o quanto tentasse,
sempre ficava em segundo, e isso o frustrava e o fazia querer sempre melhorar.
No dia de seu aniversário, chamou
para sua casa seus amigos, os gêmeos Gallard Ningorn e Gallard Rondorn, exímios
ferreiros, e sua amiga e para quem sempre perdia Dinorin Arturia. Chegaram
todos juntos e adentraram na casa que conheciam muito bem, pois passaram boa
parte de sua infância brincando no local. A casa era feita toda de uma madeira
robusta e muito resistente, que tempestade alguma seria capaz de derrubar,
haviam quatro quartos, sendo dois deles para visitas, e seu jardim era o mais
belo da região, apresentando uma enorme diversidade, pois por onde Alastorn
passava em sua viagem, recolhia sementes das espécies que julgava mais bonita, -
ou era assim que ele dizia -, e foi nesse jardim que os quatro passaram parte
da tarde conversando e rindo alegremente.
Um belíssimo jantar havia sido
preparado por pai e filho, havia uma enorme fartura e diversidade de comida na
mesa, desde carnes raras, até as frutas mais gostosas que se podiam encontrar
pelas regiões próximas, e uma grande quantidade de cerveja da melhor qualidade
para acompanhamento.
Após todos se fartarem, e rirem de
tão bêbados que haviam ficado, Micklagard tomou coragem para contar a seus
amigos que iria viajar por alguns anos, mas antes que pudesse falar, Arturia
disse: - Há algo te preocupando, meu senhor?
- Sim, há algo
me incomodando, você está certa, olhos afiados como sempre. Mas quantas vezes
já não lhe disse para não me chamar de senhor, somos amigos desde infância, não
me chame assim, por favor, há menos que queira que me deixar bravo. – Respondeu
ele.
Ela deu um leve riso e ficou
contemplando aquela expressão no rosto dele, não havia nada que a divertia mais
do que brincar com Mick e ver seu rosto corado toda vez que ela lhe chamava de
senhor.
O momento de contemplação foi
interrompido por Rondorn, que perguntou o que era, algo que deixou Arturia
muito contrariada, pois ela estava se divertindo muito com aquela cena.
- Começarei a
dizer logo, mas vamos nos sentar na sala, é um ambiente melhor para falar sobre
isso.
Todos seguiram para a sala, onde
haviam poltronas feitas de uma madeira dura, mas coberta com peles de animais,
que as deixavam imensuravelmente confortáveis. Havia uma espécie de lareira que
emanava um doce frescor, pois a madeira utilizada como combustível era de
Mistraudon, onde haviam grandes florestas e era o lar de inúmeras criaturas das
quais Alastorn falava, e das melhores madeiras para lareiras, eram árvores q
podiam ser cortadas e menos de uma semana depois já estavam completamente
regeneradas, e haviam umas quatro destas arvores em seu jardim.
Após todos se acomodarem, Micklagard
os serviu com mais cerveja e então se sentou e começou a falar de forma
vagarosa e com muito pesar em sua voz.
- Todos
vocês sabem do que chamam meu pai e também sabem que eu sempre tive desejo de
partir em uma aventura semelhante e vislumbrar as coisas que ele nos contava, -
seu pai deu um leve sorriso, era difícil de identificar se era de alegria ou de
uma certa vergonha – o motivo por eu os ter chamado – fez uma breve pausa para
criar coragem e dizer (na verdade ele só queria fazer um suspense, ele adorava
ser o centro das atenções em momentos assim) – é de que amanhã estarei partindo
nessa viajem. Não quero somente ver tais criaturas, quero restaurar a honra da
minha família e de meu pai, pois sei q ele não mente.
Seus amigos se
entre olharam, até que Arturia criou coragem e falou.
- Nós sabíamos que
este dia chegaria, e suponho que você deseja ir sozinho não é mesmo?
- Está mais uma
vez correta, minha princesa.
- Obrigada
pelo elogio, e nunca mais me chame assim, ou você morre. – Micklagard deu
alguns risos baixos, pois causara a reação que desejava. Mas temo a dizer que
você não irá partir sozinho, eu sei que você é um guerreiro nato, apesar de eu
ser melhor, e também apresenta habilidades culinárias melhores que as minhas,
mas você não tem habilidades médicas, nem mesmo seu pai foi sozinho em sua
viajem, ele foi com sua mãe, e você vai comigo.
- Eu e Rondorn
também gostaríamos de ir com você, mas eu sou muito medroso para algo assim,
então não vou, e meu irmão tem que cuidar das coisas da família, desculpe por
ser um covarde, vocês sempre me protegeram desde pequeno, e nem isso eu consigo
fazer por você. – Falou Ningorn quase em lágrimas devido ao excesso de cerveja.
- Não tem de
pedir desculpa por nada meu querido amigo. – Disse Micklagard lhe abraçando –
Esta é uma jornada que eu escolhi, e não posso pedir para que me acompanhem, e
não é de meu desejo que me acompanhem, pois não sei quantos e quais perigos
irei enfrentar nesta jornada. Não posso deixar que você vá comigo Arturia, sei
que não apresento quase nenhuma aptidão médica, e também sei que você brande
uma espada melhor do que eu, e que não precisaria protegê-la, o contrário seria
mais provável. Mas não desejo que corra esses perigos que posso correr. –
Concluiu.
- Não importa
se eu sou melhor brandindo uma espada ou não. Só digo uma coisa, se não me
deixar acompanhar-te, eu irei segui-lo por onde quer que você vá, somos
melhores amigos e sempre lutamos juntos em todas as circunstâncias, e não será
agora que deixarei você ficar longe de minha vista. – Afirmou severamente
Arturia.
- Você tem de
entender que eu estou prezando pela sua segurança Arturia.
- E eu pela
sua, seu idiota.
- Se tentar te
proteger é ser idiota, tudo bem, eu sou um idiota. – Exclamou Micklagard num
tom severo.
- Não adianta
ficar bravo, eu vou com você, quer você queira quer não. – Ela retrucou da
mesma maneira.
- Mais que
droga, você é muito insistente, nunca me ouve.
- E não será
agora que irei ouvir. – Ela terminou dando um leve um sorriso de vitória.
Micklagard
então desferiu um olhar que pedia auxilio ao seu pai e disse, - Pai, me ajude
aqui, não vou conseguir impedir que ela vá se as coisas continuarem assim.
- Nem que
tivessem mil homens armados com as melhores lanças e espadas do mundo
conseguiriam impedi-la. E por outro lado admita que você se sentiria melhor
tendo um de seus amigos a seu lado, e principalmente Arturia, sua companheira
de tantas batalhas. Eu acho que seria bom você ter ao menos uma companhia nessa
jornada, e ninguém melhor pra lhe acompanhar do que ela. – Disse Alastorn.
- Pelo visto
não tenho escolha mesmo, tudo bem, poderá vir comigo Arturia, mas se em algum
momento desejar retornar por medo ou qualquer que seja o motivo, pode retornar.
– Falou Micklagard.
Assim que ele terminou a frase ela deu um
grande salto em sua direção o derrubando no chão e o abraçando com tamanha
força que ele teve que dizer a ela para soltá-lo pois ele já quase não
respirava mais.
- A que horas
partimos amanhã? – Perguntou ela.
- Uma hora
antes do nascer do sol, então sugiro que apronte logo suas coisas.
- Elas já estão
prontas, sempre soube que você iria partir mais cedo ou mais tarde, então
deixei tudo pronto a vários meses, somente trocando algumas coisas que acabavam
sendo desnecessárias.
- Vamos todos
dormir então, peço para que durmam aqui meus amigos, já que esta será a última
noite que passaremos juntos nesta vila, por um longo tempo, até o meu retorno,
e o daquela ali também. – Arturia estava largada em uma das poltronas, e
desferiu um olhar mortal na direção de Micklagard -. Suas camas já estão
preparadas, eu mesmo cuidei disto.
A noite passou vagarosamente,
Arturia e Micklagard conseguiram dormir muito bem, pois estavam muito cansados,
ele por culpa dos afazeres do dia, e ela por arrumar sua mala no mesmo dia, a
história contada por ela havia sido uma mentira, pois sabia que a viajem seria
naquele dia, Alastorn havia dito a ela os planos do filho, e que desejava que
ela fosse com ele, pois sabia que ela seria de extrema utilidade para o filho,
e poderia ajuda-lo em qualquer ocasião. Mais esta foi uma mentira que
Micklagard nunca descobriu. Ningorn por outro lado passou a noite toda em claro
relembrando todas as aventuras que tinham tido quando eram crianças, e todas as
vezes que fora salvo por seus amigos e seu irmão. Rondorn demorou um pouco a
pegar no sono, mas dormiu muito bem, até que duas horas antes do nascer do sol,
foram todos acordados por Alastorn para o desjejum.
Durante o desjejum todos pareciam apreensivos,
exceto por Alastorn que já estava conformado com a viajem do filho. Arturia por
sua vez não estava somente apreensiva, mas também excitada com a aventura por
se aproximar, desde pequena sonhava em sair pelo mundo. Os gêmeos por outro
lado ficavam se entre olhando, olhares estes que tinham um tom repreensivo,
pois ambos queriam muito ir nesta aventura, mas não tinha coragem para deixar
todas as coisas para trás.
Após o termino do desjejum e pai e
filho terminarem de lavar a louça pela última vez juntos, todos foram ao portão
principal da cidade, onde Arturia e Micklagard deixariam a cidade, sem ter data
para voltar, se é que voltariam, e foi neste ar de despedida que Alastorn foi o
primeiro a se manifestar.
- Filho, antes
que vá quero que leve alguns presentes meus para ti, quero que leve este colete
de feito do material mais resistente e mais leve que irás encontrar – fez uma
breve pausa e disse – Mithril, um deles foi me dado e o outro dado a sua mãe
pelos povos do sul, o colete de sua mãe está sendo usado agora por Arturia, e o
meu será usado por você.
E não é somente
este presente que quero lhe dar, quero que leves contigo minha espada mais
preciosa, Tiranion, que me fora dada pelos povos do Leste, assim como seu
colete ela é feita de um material muito resistente, forjada através de escamas
do dragão de ferro, uma criatura que tu conhecerás em sua viajem. - Concluiu o
pai.
- Pai realmente
não precisava me dar essas coisas – disse ao abraçar Alastorn – eu sei como
essas coisas são realmente importantes para você, e pode ter certeza que elas
estarão em boas mãos.
Após um breve silencio, Rondorn
disse: - Nós também temos presentes para ti e para Arturia. Sei que não é
muito, mas essa adaga e essas flechas foram feitas por nós há algum tempo, são
os melhores já feitos por nós. Eu forjei a adaga, e Ningorn retirou as melhores
madeiras da região e forjou as pontas dessas flechas. A adaga carrega o nome de
nossa família, Gallard, e espero que nunca tenha de usa-la, foi feita com
diamante moldado e chifre de unicórnio, e ela será dada a ti Micklagard. Quanto
às flechas deixarei que meu irmão fale um pouco sobre elas.
- Ar...Arturia
- começou gaguejando um pouco Ningorn – essa duas dúzias de flechas, carregam
meu maior suor já despejado sobre algo. Assim como não é de meu desejo que
Micklagard utilize Tiranion ou Gallard, também não desejo que as utilize, mas
se ás utilizar, podes ter certeza de que não há nada que esta flecha não
perfure, por isto sempre que utilizá-las, tente as pegar de volta, e tente utilizá-las
o mínimo possível, mas lhe garanto, que nem mesmo Mithril pode impedir a
penetração destas flechas. Suas pontas são feitas de um material que eu não
posso revelar, só posso dizer que adquiri esse elemento com Alastorn e mais
nada, e que sua madeira é de uma das árvores dele também, da mais resistente e
mais fácil de trabalhar que já vi, elas jamais se partirão ao penetrar algo. Só
gostaria de lhe pedir uma única coisa Arturia. – Fez uma pausa, pois começou a
chorar.
- Podes me
pedir o que quiseres Ningorn, meu querido. – Ela respondeu dando-lhe um abraço
- Então o
farei. Desejaria que ao seu retorno, se puderes que traga ao menos uma destas
flechas, para que eu possa saber que nem todas foram perdidas.
- Seu desejo é
uma ordem. Também não seria de meu agrado utiliza-las, são tão belas e
majestosas, e ainda foram forjadas por ti, prometo que uma delas irá retornar
comigo inteira, jamais usarei todas, – assim que terminou sua frase, Arturia
deu um forte abraço em Ningorn, e logo em seguida Rondorn e Micklagard se
uniram a eles em um abraço de despedida.
Após todos os abraços e choros de
que se tinham direito naquela ocasião, os dois aventureiros se viraram para o
portão da cidade, mas antes que dessem o primeiro passo para fora da cidade
Alastorn disse suas últimas palavras.
- Vão com
cuidado e voltem a salvo. Só tenho mais uma coisa a dizer, irão conhecer vários
povos nesta jornada, jamais mencionem meu nome, pois muitos me conhecem, alguns
povos saberão que tu és meu filho somente de olhar-te, estes são povos de
confiança e jamais os fará mal, e se tiveres sorte, poderás conhecer seus
líderes. Mas tem povos que não suportam nem mesmo ouvir meu nome, e serão muito
hostis contigo, o que o levaria a grandes confrontos. Não são povos ruins, eu
que lhes fiz mal, em momentos de necessidade durante minha jornada.
Após esse último aviso de Alastorn,
os dois partiram da cidade pela estrada principal, estrada essa muito sinuosa e
bela, mas não demorou muito para que parecessem apenas borrões aos olhos dos
três que estavam no portão, e menos ainda que sumissem de suas visões, e pouco
tempo após sumirem de vista, os dois viraram em direção ao sul, adentrando na
floresta onde suas jornadas realmente começariam, enquanto Alastorn e os irmãos
Gallard entraram em suas casas para tentar seguir sua rotina sem que os dois
estivessem presentes.