A
floresta cinza
Micklagard e Arturia começaram a
andar pela floresta, e perceberam sua exuberância e viram que deveriam dar o
devido respeito a ela.
Haviam ali, árvores mais velhas do
que qualquer humano que já existiu, de salgueiros gigantescos até meros
arbustos. Lendas diziam que nesta floresta algumas árvores andavam, e que muito
antigamente eram conhecidas como pastores de árvores.
Tal lenda se deu ao fato de que
muitas das criaturas da floresta não ousavam se aproximar de algumas das
árvores ali presentes, e normalmente eram as que aparentavam ser mais velhas e
mais maltratadas, porém todas as árvores ao seu redor tinham folhagens
exuberantes, um grande tronco espesso e com raízes cravadas tão fundo no chão
que seria impossível até mesmo para um gigante arranca-las de lá.
Além disto, elas serviam como abrigo
e recursos de alimento para inúmeros animais da floresta, como cupins e
esquilos, estes, os quais, Micklagard quis caçar para ser o seu primeiro jantar
desta jornada, e antes que a noite caísse, ele e Arturia prosseguiram rumo ao
outro extremo da floresta, localizado mais ao norte, e aproveitaram para
recolher alguns gravetos no caminho para fazerem uma fogueira para
esquentá-los, pois quando a noite chegasse deveriam montar acampamento.
Assim que a lua estava sobre o céu,
reluzindo como os campos verdes quando surge a primavera, aparecendo forte e
vislumbram-te sobre a neve, o acampamento dos dois estava montado, e a madeira
que recolheram pelo caminho serviu bem ao seu propósito, pois para aquela época
do ano, fazia um estranho frio, mesmo para a noite, e mesmo para uma floresta,
e os dois estavam sentados próximos a fogueira e próximos um do outro.
- Nós vamos
seguir pelas montanhas ou pela passagem do dragão? – Indagou Arturia
- Acho melhor
irmos pelo caminho do dragão. Ele encurtará muitos dias da nossa travessia, e
não acredito que seja perigoso, o maior problema é chegar a ele. – Respondeu
Micklagard – Aquele pântano será complicado de atravessar, ainda mais com a
cheia do rio – continuou -.
Pararam de conversar para poder
comer os esquilos que haviam caçado mais cedo, e ela estava com um olhar
triunfante sobre ele.
Os dois tinham costume de sempre
apostar em tudo, desta vez apostaram quem pegaria o maior número de esquilos
até que o sol finalmente se acolhesse no horizonte. E desta vez, como na
maioria das vezes, ela havia triunfado sobre ele, 4 esquilos a 1, isso lhe deu
o direito de comer um a mais do que ele.
- Eu queria
muito ter conhecido Eldún, não entendo o porquê meu pai não nos deixo
conhecê-lo.
- Eu também
queria ter ao menos o visto, mas seu pai deve ter tido uma boa razão Mick.
- Quantas vezes
terei de dizer para não me chamar assim?
- Pode dizer
quantas quiser, te chamarei assim sempre que quiser, sua reação é sempre muito
divertida.
- Você gosta de
me ver irritado? – Micklagard olhou seriamente para Arturia.
- Você não está
verdadeiramente irritado, só levemente constrangido – Arturia lhe olhou com uma
leve feição de deboche.
- Tá, você está
certa, mas não me chame assim, por favor.
- Sim, meu
senhor. – E Arturia pôs-se a rir
Sua risada foi interrompida por um
barulho próximo ao acampamento deles, o qual deixou os dois apreensivos, pois
viram uma sombra, de significativo tamanho se mover daquele lugar e alçar voo.
Os dois foram verificar o que havia
naquele local, e viram somente um rastro de sangue, o que julgaram ser somente
um animal tendo abatido outro para sua refeição.
Voltaram para o acampamento, desta
vez para a tenda onde os dois dormiriam juntos, o que não era nenhum problema
para nenhum dos dois, pois estavam acostumados a dormir juntos desde de
crianças juntamente com os irmãos Gallard.
A sensação ao se deitarem foi
estranha, sentiram falta dos amigos, mas saiam que não seria para sempre, para
diminuir um pouco aquela quietude que pairava ali, Micklagard indagou.
- Eldún deveria
ser uma criatura magnifica, que espécie de dragão ele será?
- Você prestava
atenção em alguma coisa que o seu pai nos contava?
- É claro que
sim, mas por que está me perguntando isso agora?
Ó dragões que
dominam o mundo
O céu, a
terra, o mar profundo
As suas
glórias de outrora ouvi
Tantos tipos
e cores eu vi
Skydin o mais
velho e poderoso
Que a magia
criou orgulhoso
Eldún o dono
da mais forte armadura
A sua escama
de ferro escura
Arturia recitou os primeiros versos
do poema dos reis dos dragões, que falavam sobre os dragões mais fortes e
antigos, todos mais velhos do que toda a humanidade e que participaram da
guerra dos dragões.
Micklagard então perguntou – Você
está dizendo então que ele é um dragão do ferro?
- E por qual
outro motivo teria um verso falando do que é feita escama? Este poema enaltece
a característica de cada um dos reis dos dragões. De qualquer modo, já está na
hora de dormirmos, precisamos levantar assim que o sol surgir por entre essa
mata. Boa noite
Ela então se pôs a dormir, estava
brava, pois sempre prestou toda a atenção a tudo que Alastorn falava, tinha nele
mais do que um contador de histórias e alguém no qual se inspirava, tinha nele
um verdadeiro professor, e se irritava fácil quando Micklagard e os irmão
Gallard não prestavam atenção no que ele falava.
Micklagard balbuciou um boa noite e
virou-se para dormir, demorou a pegar no sono, ao modo que Arturia havia
rapidamente dormido, porém teve um sono profundo e tranquilo naquela noite, e
se permitiu perder-se em seus sonhos e no aconchego de sua tenda.
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