quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Um conto de criaturas: Capitulo 2


Capitulo II

A floresta cinza



            Micklagard e Arturia começaram a andar pela floresta, e perceberam sua exuberância e viram que deveriam dar o devido respeito a ela.

            Haviam ali, árvores mais velhas do que qualquer humano que já existiu, de salgueiros gigantescos até meros arbustos. Lendas diziam que nesta floresta algumas árvores andavam, e que muito antigamente eram conhecidas como pastores de árvores.

            Tal lenda se deu ao fato de que muitas das criaturas da floresta não ousavam se aproximar de algumas das árvores ali presentes, e normalmente eram as que aparentavam ser mais velhas e mais maltratadas, porém todas as árvores ao seu redor tinham folhagens exuberantes, um grande tronco espesso e com raízes cravadas tão fundo no chão que seria impossível até mesmo para um gigante arranca-las de lá.

            Além disto, elas serviam como abrigo e recursos de alimento para inúmeros animais da floresta, como cupins e esquilos, estes, os quais, Micklagard quis caçar para ser o seu primeiro jantar desta jornada, e antes que a noite caísse, ele e Arturia prosseguiram rumo ao outro extremo da floresta, localizado mais ao norte, e aproveitaram para recolher alguns gravetos no caminho para fazerem uma fogueira para esquentá-los, pois quando a noite chegasse deveriam montar acampamento.

            Assim que a lua estava sobre o céu, reluzindo como os campos verdes quando surge a primavera, aparecendo forte e vislumbram-te sobre a neve, o acampamento dos dois estava montado, e a madeira que recolheram pelo caminho serviu bem ao seu propósito, pois para aquela época do ano, fazia um estranho frio, mesmo para a noite, e mesmo para uma floresta, e os dois estavam sentados próximos a fogueira e próximos um do outro.

- Nós vamos seguir pelas montanhas ou pela passagem do dragão? – Indagou Arturia

- Acho melhor irmos pelo caminho do dragão. Ele encurtará muitos dias da nossa travessia, e não acredito que seja perigoso, o maior problema é chegar a ele. – Respondeu Micklagard – Aquele pântano será complicado de atravessar, ainda mais com a cheia do rio – continuou -.

            Pararam de conversar para poder comer os esquilos que haviam caçado mais cedo, e ela estava com um olhar triunfante sobre ele.

            Os dois tinham costume de sempre apostar em tudo, desta vez apostaram quem pegaria o maior número de esquilos até que o sol finalmente se acolhesse no horizonte. E desta vez, como na maioria das vezes, ela havia triunfado sobre ele, 4 esquilos a 1, isso lhe deu o direito de comer um a mais do que ele.

- Eu queria muito ter conhecido Eldún, não entendo o porquê meu pai não nos deixo conhecê-lo.

- Eu também queria ter ao menos o visto, mas seu pai deve ter tido uma boa razão Mick.

- Quantas vezes terei de dizer para não me chamar assim?

- Pode dizer quantas quiser, te chamarei assim sempre que quiser, sua reação é sempre muito divertida.

- Você gosta de me ver irritado? – Micklagard olhou seriamente para Arturia.

- Você não está verdadeiramente irritado, só levemente constrangido – Arturia lhe olhou com uma leve feição de deboche.

- Tá, você está certa, mas não me chame assim, por favor.

- Sim, meu senhor. – E Arturia pôs-se a rir

            Sua risada foi interrompida por um barulho próximo ao acampamento deles, o qual deixou os dois apreensivos, pois viram uma sombra, de significativo tamanho se mover daquele lugar e alçar voo.

            Os dois foram verificar o que havia naquele local, e viram somente um rastro de sangue, o que julgaram ser somente um animal tendo abatido outro para sua refeição.

            Voltaram para o acampamento, desta vez para a tenda onde os dois dormiriam juntos, o que não era nenhum problema para nenhum dos dois, pois estavam acostumados a dormir juntos desde de crianças juntamente com os irmãos Gallard.

            A sensação ao se deitarem foi estranha, sentiram falta dos amigos, mas saiam que não seria para sempre, para diminuir um pouco aquela quietude que pairava ali, Micklagard indagou.

- Eldún deveria ser uma criatura magnifica, que espécie de dragão ele será?

- Você prestava atenção em alguma coisa que o seu pai nos contava?

- É claro que sim, mas por que está me perguntando isso agora?



Ó dragões que dominam o mundo

O céu, a terra, o mar profundo

As suas glórias de outrora ouvi

Tantos tipos e cores eu vi



Skydin o mais velho e poderoso

Que a magia criou orgulhoso

Eldún o dono da mais forte armadura

A sua escama de ferro escura



            Arturia recitou os primeiros versos do poema dos reis dos dragões, que falavam sobre os dragões mais fortes e antigos, todos mais velhos do que toda a humanidade e que participaram da guerra dos dragões.

            Micklagard então perguntou – Você está dizendo então que ele é um dragão do ferro?

- E por qual outro motivo teria um verso falando do que é feita escama? Este poema enaltece a característica de cada um dos reis dos dragões. De qualquer modo, já está na hora de dormirmos, precisamos levantar assim que o sol surgir por entre essa mata. Boa noite

            Ela então se pôs a dormir, estava brava, pois sempre prestou toda a atenção a tudo que Alastorn falava, tinha nele mais do que um contador de histórias e alguém no qual se inspirava, tinha nele um verdadeiro professor, e se irritava fácil quando Micklagard e os irmão Gallard não prestavam atenção no que ele falava.

            Micklagard balbuciou um boa noite e virou-se para dormir, demorou a pegar no sono, ao modo que Arturia havia rapidamente dormido, porém teve um sono profundo e tranquilo naquela noite, e se permitiu perder-se em seus sonhos e no aconchego de sua tenda.

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