domingo, 11 de março de 2018

O rio e a arvore

O rio e a arvore


Como o tempo percorre o luar
Os lobos correm e se põe a cantar
O quão mais a lua pode brilhar
Para que a vida selvagem possa se vislumbrar

O canto dos pássaros anunciam sua chegada
Acabou a primavera, chegou a estação nevada
Podem os filhos ainda se manter a viver
ou a neve irão sucumbir e morrer

Aquele belo rio outra vez congelou
Assim que a neve nele encostou
Será que esse gelo pode se quebrar
Ou o rio finalmente irá secar

Um sol ofuscado e opaco ao fundo
Poderá o limpo outra vez ser imundo
Poderá a aurora no mundo brilhar
Ou mais uma vez se deixará de respirar

Pode o tempo pelo céu cavalgar
E aquele luar novamente encontrar
Ou as estrelas irão se calar
E caído em um leito enfim vou ficar

Como outrora um muro será erguido
Nem sol ou lua chegarão ao perseguido
Flores por cima não mais vão passar
Sem ao menos suas pétalas em chamas ficar

A corrida pela vida pode novamente começar
O homem, o fraco, em pé pode ficar
Mas a noite caiu e seus olhos cobriu
Um aperto no peito, e na pele frio

A serpente se esgueira por trás da neblina
Mais uma vez completará sua sina
Quando mais uma vez a primavera chegar
Em prantos, caído, ele vai estar

Não importa que sol comece a brilhar
Ou que lua tente se fazer enxergar
O fraco pode deitado ficar
Aguardo a senhora vir lhe buscar

Uma centelha que ousa piscar e gritar
Como um filho que sua mãe irá buscar
Outra faísca ousa tentar brilhar
Mas com medo retorna a se apagar

Promessas pesadas tendem a ficar
A bela árvore nunca irá cortar
O tempo passa e a brisa se manterá
Até que a árvore enfim sucumbirá

Marcas queimadas podem chegar
Mas a casca pode se regenerar
Não importa que galho ouse quebrar
Essa árvore nunca deixarei de regar

Um ninho em seus galhos pode se formar
A vida, dali, mais uma vez brotar
Do alto da montanha a neve deseja cair
E ao nascer do sol irá sucumbir

Como o rio que está em baixo ficou?
Será que alguma coisa dele restou?
Não importa que parte dela queimar
Eu ainda estarei lá para apagar

Mas como se desse rio nada restou?
Se a margem a ela nunca mais tocou!
Como pode a queimadura curar?
Se no fogo não podes tocar

Um pedaço dela voa até mim
Mas esse rio chegou ao seu fim
Sua ultima gota enfim ele usou
Para curar a árvore que ele mesmo queimou


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